Suspensão de venda de água mineral por ameaça de facção já afeta bairros de Fortaleza e cidades do interior
Ameaças
da facção criminosa Comando Vermelho contra comerciantes já têm
afetado o abastecimento de água mineral em bairros de Fortaleza e municípios do
interior do Ceará. O cenário veio à tona após moradores de Banabuiú, no sertão
central do Ceará, precisarem de
escolta policial para comprar garrafões de água.
Depois
que o g1 e a TV Verdes Mares
noticiaram a situação em Banabuiú, moradores de outras localidades passaram a
denunciar casos semelhantes onde moravam. Foram relatados casos em Bairros de
Fortaleza, além das cidades de Meruoca e Caridade - esta última
cidade, inclusive, é a mesma que, em
2025, ficou sem internet por ataques de facção.
Na
capital cearense, as denúncias se concentram nos bairros Parque Dois Irmãos,
Passaré e Manuel Dias Branco. A situação ocorreria, principalmente, em
comunidades apontadas como áreas de atuação da facção.
A
primeira denúncia anônima relata a situação na Comunidade Rosalina, no Bairro
Parque Dois Irmãos, em Fortaleza. Segundo a testemunha, a extorsão teria
começado na última segunda-feira (2), feriado de Finados.
Criminosos
estariam cobrando uma taxa de comerciantes para permitir o funcionamento de
pontos de venda de água.
“Isso começou no dia 2 de novembro. Veio uma ordem do Rio de Janeiro para que começassem a cobrar pelo abastecimento de água mineral, aquelas águas de garrafão de 20 litros. O abastecimento já acabou lá no bairro. Ontem mesmo [acabou o produto] em cinco lugares. No sexto depósito foi que eu encontrei, e o rapaz falou que já estava acabando. E ele estava com medo de ir buscar lá na distribuidora”, relatou a testemunha, que será mantida em anonimato.
Denúncias de falta de água mineral após ameaças de facção criminosa a comerciantes se espalharam por mais cidades do Ceará. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Na
cidade de Meruoca, a cerca de 250 quilômetros de Fortaleza, testemunhas afirmam
que, diante das ameaças constantes de criminosos ao comércio local, moradores
passaram a buscar água em poços e chafarizes.
Segundo
os relatos, essa água não é potável nem adequada para consumo sem tratamento.
Para beber, a população precisa ferver o líquido.
“As
pessoas estão sem água. Está sendo proibida a venda de garrafão de água. Então
as pessoas estão sobrevivendo pegando água no poço e até pagando para as
pessoas pegarem no chafariz, porque foi proibida água em garrafões", diz o
morador.
"E quem sofre são os moradores. A gente tem medo de falar por medo de represália. Essa é a situação. Quem não tem poço vai para o chafariz. Às vezes, no chafariz falta água e bebe do açude mesmo. E a água é imprópria, né? Fica até doente”, continua a testemunha.
Denúncias de falta de água mineral após ameaças de facção criminosa a comerciantes se espalharam por mais cidades do Ceará. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
A
situação também estaria se repetindo em Caridade, município a cerca de 97
quilômetros de Fortaleza. Segundo as denúncias, moradores da cidade enfrentam
dificuldade para ter acesso à água mineral, como ocorre em Banabuiú.
Caridade,
inclusive, é o mesmo
município que, em março de 2025, ficou quase totalmente sem internet após
ataques de uma facção criminosa contra provedores de internet. Na ocasião, os
criminosos romperam os fios das empresas, afetando 90% dos clientes da cidade.
Em
nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) disse
que a Polícia Civil investiga a "circulação em redes sociais de mensagens
relacionadas a supostas ameaças e extorsões".
"A SSPDS ressalta que os trabalhos investigativos são realizados pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), unidade especializada da Polícia Civil. Equipes da Polícia Militar realizam ações preventivas e ostensivas. Setores de Inteligência auxiliam os trabalhos policiais e direcionam as ações de policiais civis e militares", disse o órgão.


Paulo Sergio de Carvalho - Meu Pai, Meu Herói — Sérgio Carvalho, um amor que a eternidade não apaga